APAC masculina de Santa Luzia/MG

14/08/2006

Área externa da APAC de Santa Luzia/MG

Em 2000, começou a surgir, por parte da comunidade santa-luziense, interesse em criar uma APAC na comarca, a qual pudesse abranger a região metropolitana de Belo Horizonte. Iniciativa que partiu de vários grupos sociais.

 

Em 2000, membros da Pastoral Carcerária, Congregação dos Irmãos Maristas, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais e Arquidiocese de Minas Gerais se uniram para a criação da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados – APAC, no município de Santa Luzia, para atendimento da região metropolitana de Belo Horizonte, o que ocorreu em 2001.

Em parceria com o curso de Arquitetura da PUC Minas: após estudos realizados junto à APAC de Itaúna, foi elaborado um projeto arquitetônico especifico para aplicação da metodologia, contemplando a execução da pena nos regimes fechado, semiaberto e trabalho externo.

O projeto desenvolvido pelo Arquiteto Flávio da PUC Minas, foi considerado inovador, visto que, segundo seu idealizador, trata-se da 1ª unidade cuja arquitetura prisional foi concebida tendo em vista o Método APAC.

Em audiência pública realizada com participação do então Deputado Estadual Durval Ângelo, a população luziense demonstrou-se muito resistente quanto à criação do Centro de Reintegração Social – CRS, com o pensamento que seria um presídio público, sem o conhecimento do que era o Método APAC.

Depois de muito diálogo e um trabalho intenso junto às comunidades e ainda com certo preconceito por parte da população, a criação do CRS foi aceita. O terreno foi doado pela prefeitura da cidade e a construção do prédio foi custeada pelo Governo Federal e Estadual.

A comunidade escolhida pelo Poder Público local, para implantação do projeto em Santa Luzia/MG, foi o bairro Frimisa que a rejeitou em primeiro momento, talvez pelo desconhecimento da proposta e por uma percepção, por parte dos moradores, que estava sendo-lhes imposta a implantação do Centro de Reintegração Social, CRS, onde seria aplicado o Método APAC, mas ao final, acabou compreendendo a proposta e passou a apoiar a iniciativa.

A obra foi construída com investimentos que vieram do Ministério da Justiça e do Estado de Minas Gerais, terminadas as obras, em uma visita de vistoria do Ministério da Justiça, os técnicos ao conhecerem o projeto, afirmaram tratar-se de uma revolução em termos de arquitetura prisional.

Vista aérea e auditório do CRS da APAC de Santa Luzia/MG.

Área externa do CRS da APAC de Santa Luzia/MG.

Cinco anos depois, mais precisamente em 25 de maio de 2006, o prédio do CRS foi entregue, com capacidade para 200 recuperandos, sendo 120 no regime fechado, 60 no regime semiaberto intramuros e 20 no regime semiaberto extramuros.

Em 14 de agosto de 2006 a APAC de Santa Luzia foi inaugurada e logo em seguida foram transferidos os primeiros recuperandos. A primeira diretoria Executiva, ainda no ano de 2006 promoveu diversos cursos de conhecimento e aperfeiçoamento da metodologia apaqueana, bem como cursos de capacitação para recuperandos e voluntários. Uma das funcionárias da época que contribuiu sobremaneira para a instalação e início de funcionamento da APAC foi a Sra. Mary Lucia da Anunciação, tendo ao seu lado o grande amigo e memorável Professor Fábio Alves.

Como o Método foi se consolidando como referência em ressocialização através da valorização humana, a APAC recebeu a visita do representante do Rotary Club de Santa Luzia, Sr. Eduardo Luiz de Souza, e através de um ato simbólico durante a sua visita no CRS foi plantada uma árvore que hoje se encontra frondosa e é um dos cantos preferidos de familiares e recuperandos.

Em julho de 2009 aconteceu a IV Jornada de Libertação com Cristo na APAC de Santa Luzia/MG com a presença do Vice-presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, Desembargador Jarbas Ladeira e do Coordenador do projeto Novos Rumos, Desembargador, Joaquim Alves de Andrade.

Já em 2011, a APAC de Santa Luzia realizou o Curso de Capacitação e Implantação do Método de Alfabetização, Aprendizagem e Promoção Humana para voluntários e recuperandos de todas as APACs do estado de Minas Gerais.

No mesmo ano a APAC passou por uma grande crise financeira. Foram meses difíceis, reduzindo ao máximo todos os custos e após muito trabalho a equipe de funcionários juntamente com a diretoria executiva conseguiram passar por essa crise e a APAC voltou a ter suas finanças equilibradas.

O CRS ao longo dos anos recebeu várias visitas ilustres e de grande importância para a expansão do Método, como em março de 2019, ao qual recebeu a visita dos governadores do Sul e Sudeste, bem como da Ministra do Supremo Tribunal Federal, Carmen Lúcia e do ex-Ministro da Justiça, Sérgio Moro do Arcebispo Metropolitano, Dom Valmor de Azevedo, dos embaixadores dos países europeus e tantos outros civitas importantes.

Certamente que estas visitas foram de extrema importância para visibilidade e expansão da metodologia apequeana, levando a tratativas para implantação de mais Centros de Reintegração Social pelo estado de Minas Gerais e pelo Brasil.

Mas nem só de bons acontecimentos e conquistas a APAC de Santa Luzia passou, tendo em vista uma crise financeira no ano de 2019 sobretudo em face problemas na gestão e ações trabalhistas quase ocasionando o fechamento da APAC, pois naquele momento já havia ordem do estado para esvaziar o prédio.

Por intermédio da Fraternidade Brasileira de Assistência aos Condenados – FBAC foi realizada intervenção pelo Inspetor de Metodologia, Ari de Jesus e assim foram ajustados todos os caminhos para que a APAC voltasse a sua vida financeira ao normal.

Através da intervenção, a APAC realizou projetos para captação de recursos advindas de penas pecuniárias, tendo o projeto aprovado, que consistia na reforma do CRS através de pintura e melhorias na estrutura, bem como a reforma completa da cozinha e padaria.

Após o período de intervenção, que durou aproximadamente 1 ano e meio, a APAC de Santa Luzia, caminha positivamente junto com seus colaboradores e diretoria executiva, inaugurando um espaço externo para venda dos artesanatos dos recuperandos, além de produtos da padaria, inauguração de uma galeria de arte para exposição do trabalho dos recuperandos e artistas locais.

Galeria de arte para exposição dos trabalhos realizados pelos recuperandos e artistas locais.

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